IDENTIFICAÇÃO DE MAUS-TRATOS INFANTIS PELO CIRURGIÃO DENTISTA DA ATENÇÃO PRIMÁRIA: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA


Ano de Publicação: 2021
Autor(es): Erika Juliane Mendes
Orientador(es): Otávio Cardoso-Filho

RESUMO

Introdução: a região orofacial, cabeça, face e pescoço, correspondem à maioria das lesões decorrentes dos maus-tratos infantis e, por este motivo, a criança vítima geralmente é encaminhada ao serviço odontológico, onde o cirurgião dentista tem a oportunidade de identificar essas vítimas, tendo os serviços de saúde um papel importante no confronto à violência infantil.

Objetivo: Interpretar, através de uma revisão sistemática, a percepção e atitude dos cirurgiões dentistas da atenção primária frente aos maus tratos infantis.

Metodologia: Realizou-se uma pesquisa bibliográfica a partir de estudos publicados entre os anos de 2010 a 2019. Para tanto, utilizou- se como bases de dados, o Scielo (Scientific Eletronics Library) e Pubmed (US National Library of Medicine). Inicialmente foram selecionados estudos nos idiomas espanhol, inglês e português e que apresentavam, nos títulos e resumos, a combinação dos termos: maus tratos infantis, odontopediatria, negligência odontológica, violência sexual infantil, atendimento odontológico primário e síndrome da criança maltratada. Após leitura dos títulos, foram excluídos os artigos que apresentavam duplicidade.

Resultados: Foram incluídos no estudo 05 artigos. Após leitura dos artigos na íntegra, foi possível compreender que o atendimento odontológico é um momento oportuno para a identificação de maus tratos infantis, todavia os resultados revelam que muito cirurgião-dentista dentista ainda tem dificuldade em reconhecer lesões corporais, e identificar possíveis maus-tratos em crianças. E também sentem medo ou não sabem como notificar ou denunciar. Os estudos ainda revelam que essa inabilidade pode ser consequência da ausência ou escassez do estudo sobre a referida abordagem durante  a graduação ou em treinamentos profissionais. Nesse sentido, a atuação do dentista fica restrita aos cuidados com a saúde bucal dos seus pacientes.

Conclusão: O conhecimento e preparo do cirurgião dentista é efetivo para contribuir na sua atuação de maneira preventiva, a fim de identificar crianças maltratadas, realizando as emergências clínicas que existam e priorizar o bem-estar da criança e ainda avaliar o  risco imediato de reincidência dos maus-tratos. Contudo, é uma realidade o despreparo dos cirurgiões dentistas do seu importante papel civil, em como diagnosticar e notificar suspeitas ou confirmações de maus tratos.